Propostas Teológicas Latino-Americanas e a Tradição Reformacional: um Olhar inicial
Por Josué Reichow
Uma breve apresentação da TdL e TMI e os pontos de aproximação e tensão com a tradição reformada.
Para ler o texto na íntegra Clique Aqui.
"Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Rm 12. 2)
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sábado, 18 de julho de 2015
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Mandato Cultural: resgatando a teologia da criação para uma vivência pública da fé
Por: Rodomar Ricardo Ramlow
Resumo
Para que os cristãos possam avançar do debate teológico para uma vivência prática da fé na esfera pública é necessário um fundamento sólido. No que diz respeito à perspectiva ecológica, é necessário resgatar uma teologia da criação a partir do Mandato Cultural de Deus. Contribuir para esta reflexão é objetivo deste trabalho. Com uma pesquisa bibliográfica e um olhar sobre os primeiros capítulos do livro bíblico de Gênesis procuramos resgatar o conceito de Mandato Cultural, a fim de contribuir para uma conscientização planetária. Lembrando a influência do dualismo grego e o desprezo pela matéria, voltar-se à tradição hebraica significa assumir o desafio de uma compreensão mais integrada de todas as coisas. De maioria cristã, o Brasil precisa superar o dualismo platônico e encarnar a compreensão de que todos são responsáveis pela boa criação de Deus. A intervenção humana na realidade pressupõe responsabilidade e cuidado. Observa-se, no entanto, uma incoerência entre os ensinamentos do livro sagrado dos cristãos e a prática dos fieis no dia a dia no que se refere à relação humana com o mundo criado.
Leia AQUI o texto na íntegra.
Resumo
Para que os cristãos possam avançar do debate teológico para uma vivência prática da fé na esfera pública é necessário um fundamento sólido. No que diz respeito à perspectiva ecológica, é necessário resgatar uma teologia da criação a partir do Mandato Cultural de Deus. Contribuir para esta reflexão é objetivo deste trabalho. Com uma pesquisa bibliográfica e um olhar sobre os primeiros capítulos do livro bíblico de Gênesis procuramos resgatar o conceito de Mandato Cultural, a fim de contribuir para uma conscientização planetária. Lembrando a influência do dualismo grego e o desprezo pela matéria, voltar-se à tradição hebraica significa assumir o desafio de uma compreensão mais integrada de todas as coisas. De maioria cristã, o Brasil precisa superar o dualismo platônico e encarnar a compreensão de que todos são responsáveis pela boa criação de Deus. A intervenção humana na realidade pressupõe responsabilidade e cuidado. Observa-se, no entanto, uma incoerência entre os ensinamentos do livro sagrado dos cristãos e a prática dos fieis no dia a dia no que se refere à relação humana com o mundo criado.
Leia AQUI o texto na íntegra.
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segunda-feira, 14 de março de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Estudar... Aprender... Crescer...
Tradução livre e resumo do Rev. Antônio Carlos Costa de uma pregação de Jonathan Edwards (1703 - 1758) pregada em 1739. baseado em Hebreus 5. 12.
"De fato, embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido!"
Hebreus 5. 12
sábado, 18 de dezembro de 2010
Pontos Decisivos...
Caixa de Ferramentas Bíblicas
Qual é o antídoto para a divisão secular/sagrado? Como ter a certeza de que nossa caixa de ferramentas contém as ferramentas conceituais fundamentadas na Bíblia para cada assunto que encontrarmos? Temos de começar estando completamente convencidos de que há perspectiva bíblica sobre tudo, não apenas sobre assuntos espirituais. O Antigo Testamento nos fala diversas vezes que "o temor do SENHOR é o princípio da sabedoria" (Sl 111.10; Pv 1.7; 9.10; 15.33). De modo semelhante, o Novo Testamento ensina que em Cristo "estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência" (Cl 2.3). Interpretamos estes versículos no sentido de sabedoria espiritual, porém o texto não estabelece limitação ao termo. "A maioria das pessoas tem a tendência de ler estas passagens como se dissessem que o temor do Senhor é o fundamento do conhecimento religioso", escreve Clouser."Mas o fato é que fazem afirmação radical — a afirmação de que, de alguma maneira, todo o conhecimento depende da verdade religiosa."

Esta afirmação é mais fácil de entender quando nos damos conta de que o cristianismo não é único sob este aspecto. Todos os sistemas de crença trabalham do mesmo modo. Como vimos, o que quer que um sistema proponha como auto-existente é, em essência, o que se considera divino. E esse compromisso religioso funciona como o princípio controlador para tudo o que vem depois. O temor de algum "deus" é o princípio de cada sistema de conhecimento proposto.
Assim que entendermos como o primeiro princípio trabalha, fica claro que toda a verdade tem de começar em Deus. A única realidade auto-existente é Deus, e tudo o mais depende dEle para sua origem e existência contínua. Nada existe separado da sua vontade; nada está fora do escopo dos pontos decisivos centrais na história bíblica: a criação, a queda e a redenção.
Criação
A mensagem cristã não começa com "Aceite a Jesus como Salvador", mas com "No princípio, criou Deus os céus e a terra". A Bíblia ensina que Deus é a fonte exclusiva de toda a ordem criada. Nenhum outro deus concorre com Ele; não existe força natural própria; nada recebe sua natureza ou existência de outra fonte. Sua palavra, ou leis, ou ordenanças da criação dão ao mundo ordem e estrutura. A palavra criativa de Deus é a fonte das leis da natureza física que estudamos nas ciências naturais. Também é a fonte das leis da natureza humana — os princípios da moralidade (ética), da justiça (política), do empreendimento criativo (economia), da estética (artes) e até do pensamento claro (lógica). É por isso que Salmos 119.91 declara:"... tudo está a teu serviço" (NVI). Não há assunto, tema, matéria que seja filosófica ou espiritualmente neutra.
Queda
A universalidade da criação é emparelhada pela universalidade da queda. A Bíblia ensina que todas as partes da criação — inclusive nossa mente — foram atingidas na grande rebelião contra o Criador. Os teólogos denominam isso de o efeito "noético" da queda (o efeito sobre a mente), e subverte nossa habilidade de entender o mundo sem a graça regeneradora de Deus. A Bíblia está repleta de avisos de que a idolatria ou a desobediência voluntariosa a Deus torna os humanos "cegos" ou "surdos". Paulo escreve:"... o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho..." (2 Co 4.4) O pecado literalmente entenebreceu o entendimento (Ef 4.18).
Claro que os não-crentes ainda atuam no mundo de Deus, portam a imagem dEle e são sustentados por sua graça comum, fatos que significam que têm a capacidade de descobrir segmentos isolados de conhecimento genuíno. E os cristãos devem acolher com alegria esses insights. Toda a verdade é a verdade de Deus, como diziam os pais da igreja, que também exortavam os cristãos a "saquear os egípcios" (cf. Ex 3.22),apropriando-se do melhor da erudição secular e mostrando como se ajusta de forma mais apropriada a uma cosmovisão bíblica. Pode haver ocasiões em que os cristãos estejam enganados em algum ponto, e os não-crentes, certos. Não obstante, os sistemas globais de pensamento formados pelos não-crentes serão falsos, pois se o sistema não é construído sobre a verdade bíblica, então o será sobre outro princípio básico. Até as verdades serão vistas pela lente distorcida de uma falsa cosmovisão. Em conseqüência disso, a abordagem cristã em qualquer campo precisa ser crítica e construtiva. Não podemos apenas tomar os resultados da erudição secular como se fosse território espiritualmente neutro, descoberto por pessoas cujas mentes estão de todo abertas e objetivas, ou seja, como se a queda nunca tivesse acontecido.
Redenção
Por fim, a redenção é tão abrangente quanto a criação e a queda. Deus não salva apenas nossa alma, deixando nossa mente a funcionar sozinha. Ele resgata a pessoa inteira. A conversão tem o propósito de dar nova direção a nossos pensamentos, emoções, vontade e hábitos. Paulo nos exorta a oferecer nosso "eu" a Deus como "sacrifício vivo", de forma a não sermos conformados com este mundo, mas sermos transformados pela renovação de nossa mente (Rm 12.1,2). Quando fomos remidos, todas as coisas se fizeram novas (2 Co 5.17). Deus promete nos dar "um coração novo" e "um espírito novo" (Ez 36.26), avivando nosso caráter com vida nova.
Isto explica por que a Bíblia trata o pecado, primeiramente, como questão de termos nos afastado de Deus para servir a outros deuses, e, em segundo plano, destacando uma lista de comportamentos imorais específicos. O primeiro mandamento é, afinal de contas, o primeiro — os demais vêm somente depois que estivermos certos sobre quem ou o que estamos adorando. E é por isso que a redenção consiste, de maneira fundamental, em expulsar nossos ídolos mentais para nos voltarmos ao verdadeiro Deus. E quando fazemos isso, experimentamos o seu poder transformador que renova cada aspecto de nossa vida. Falar sobre uma cosmovisão cristã é outro modo de dizer que, quando somos redimidos, toda nossa perspectiva de vida é recentralizada em Deus e reconstruída em sua verdade revelada.
Trecho do livro de PEARCY, Nancy. Verdade Absoluta: Libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Tradução de Luis Aron. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. 526 p. (p. 48-51)
Qual é o antídoto para a divisão secular/sagrado? Como ter a certeza de que nossa caixa de ferramentas contém as ferramentas conceituais fundamentadas na Bíblia para cada assunto que encontrarmos? Temos de começar estando completamente convencidos de que há perspectiva bíblica sobre tudo, não apenas sobre assuntos espirituais. O Antigo Testamento nos fala diversas vezes que "o temor do SENHOR é o princípio da sabedoria" (Sl 111.10; Pv 1.7; 9.10; 15.33). De modo semelhante, o Novo Testamento ensina que em Cristo "estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência" (Cl 2.3). Interpretamos estes versículos no sentido de sabedoria espiritual, porém o texto não estabelece limitação ao termo. "A maioria das pessoas tem a tendência de ler estas passagens como se dissessem que o temor do Senhor é o fundamento do conhecimento religioso", escreve Clouser."Mas o fato é que fazem afirmação radical — a afirmação de que, de alguma maneira, todo o conhecimento depende da verdade religiosa."

Esta afirmação é mais fácil de entender quando nos damos conta de que o cristianismo não é único sob este aspecto. Todos os sistemas de crença trabalham do mesmo modo. Como vimos, o que quer que um sistema proponha como auto-existente é, em essência, o que se considera divino. E esse compromisso religioso funciona como o princípio controlador para tudo o que vem depois. O temor de algum "deus" é o princípio de cada sistema de conhecimento proposto.
Assim que entendermos como o primeiro princípio trabalha, fica claro que toda a verdade tem de começar em Deus. A única realidade auto-existente é Deus, e tudo o mais depende dEle para sua origem e existência contínua. Nada existe separado da sua vontade; nada está fora do escopo dos pontos decisivos centrais na história bíblica: a criação, a queda e a redenção.
Criação
A mensagem cristã não começa com "Aceite a Jesus como Salvador", mas com "No princípio, criou Deus os céus e a terra". A Bíblia ensina que Deus é a fonte exclusiva de toda a ordem criada. Nenhum outro deus concorre com Ele; não existe força natural própria; nada recebe sua natureza ou existência de outra fonte. Sua palavra, ou leis, ou ordenanças da criação dão ao mundo ordem e estrutura. A palavra criativa de Deus é a fonte das leis da natureza física que estudamos nas ciências naturais. Também é a fonte das leis da natureza humana — os princípios da moralidade (ética), da justiça (política), do empreendimento criativo (economia), da estética (artes) e até do pensamento claro (lógica). É por isso que Salmos 119.91 declara:"... tudo está a teu serviço" (NVI). Não há assunto, tema, matéria que seja filosófica ou espiritualmente neutra.
Queda
A universalidade da criação é emparelhada pela universalidade da queda. A Bíblia ensina que todas as partes da criação — inclusive nossa mente — foram atingidas na grande rebelião contra o Criador. Os teólogos denominam isso de o efeito "noético" da queda (o efeito sobre a mente), e subverte nossa habilidade de entender o mundo sem a graça regeneradora de Deus. A Bíblia está repleta de avisos de que a idolatria ou a desobediência voluntariosa a Deus torna os humanos "cegos" ou "surdos". Paulo escreve:"... o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho..." (2 Co 4.4) O pecado literalmente entenebreceu o entendimento (Ef 4.18).
Claro que os não-crentes ainda atuam no mundo de Deus, portam a imagem dEle e são sustentados por sua graça comum, fatos que significam que têm a capacidade de descobrir segmentos isolados de conhecimento genuíno. E os cristãos devem acolher com alegria esses insights. Toda a verdade é a verdade de Deus, como diziam os pais da igreja, que também exortavam os cristãos a "saquear os egípcios" (cf. Ex 3.22),apropriando-se do melhor da erudição secular e mostrando como se ajusta de forma mais apropriada a uma cosmovisão bíblica. Pode haver ocasiões em que os cristãos estejam enganados em algum ponto, e os não-crentes, certos. Não obstante, os sistemas globais de pensamento formados pelos não-crentes serão falsos, pois se o sistema não é construído sobre a verdade bíblica, então o será sobre outro princípio básico. Até as verdades serão vistas pela lente distorcida de uma falsa cosmovisão. Em conseqüência disso, a abordagem cristã em qualquer campo precisa ser crítica e construtiva. Não podemos apenas tomar os resultados da erudição secular como se fosse território espiritualmente neutro, descoberto por pessoas cujas mentes estão de todo abertas e objetivas, ou seja, como se a queda nunca tivesse acontecido.
Redenção
Por fim, a redenção é tão abrangente quanto a criação e a queda. Deus não salva apenas nossa alma, deixando nossa mente a funcionar sozinha. Ele resgata a pessoa inteira. A conversão tem o propósito de dar nova direção a nossos pensamentos, emoções, vontade e hábitos. Paulo nos exorta a oferecer nosso "eu" a Deus como "sacrifício vivo", de forma a não sermos conformados com este mundo, mas sermos transformados pela renovação de nossa mente (Rm 12.1,2). Quando fomos remidos, todas as coisas se fizeram novas (2 Co 5.17). Deus promete nos dar "um coração novo" e "um espírito novo" (Ez 36.26), avivando nosso caráter com vida nova.
Isto explica por que a Bíblia trata o pecado, primeiramente, como questão de termos nos afastado de Deus para servir a outros deuses, e, em segundo plano, destacando uma lista de comportamentos imorais específicos. O primeiro mandamento é, afinal de contas, o primeiro — os demais vêm somente depois que estivermos certos sobre quem ou o que estamos adorando. E é por isso que a redenção consiste, de maneira fundamental, em expulsar nossos ídolos mentais para nos voltarmos ao verdadeiro Deus. E quando fazemos isso, experimentamos o seu poder transformador que renova cada aspecto de nossa vida. Falar sobre uma cosmovisão cristã é outro modo de dizer que, quando somos redimidos, toda nossa perspectiva de vida é recentralizada em Deus e reconstruída em sua verdade revelada.
Trecho do livro de PEARCY, Nancy. Verdade Absoluta: Libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Tradução de Luis Aron. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. 526 p. (p. 48-51)
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Duas Cidades
O projeto do Iluminismo estava em nítida oposição à tradição cristã clássica, que sugeria um ponto de vista de conhecimento (ou epistemologia) muito mais humilde e realístico. Reconhecia que o que contamos como conhecimento é profundamente moldado por nossa condição espiritual. Este discernimento foi mais bem expresso por Agostinho em sua imagem das duas cidades: a Cidade de Deus e a Cidade do Homem. Agostinho não estava falando sobre a divisão entre igreja e Estado, como pensam alguns; falava sobre dois sistemas de pensamento e lealdade. Ajudamos a construir a Cidade de Deus quando nossas ações são inspiradas e dirigidas pelo amor de Deus, sendo oferecidas ao seu serviço. Construímos a Cidade do Homem sempre que nossas ações são incentivadas por amor-próprio e servem de propósitos pecaminosos.
Aplicado à vida da mente, a imagem das duas cidades significa que todos chegamos ao mesmo ponto já possuindo motivação espiritual, a qual afeta o que iremos aceitar como verdadeiro. Longe de sermos folhas em branco, nossa mente está colorida por nossa posição, quer a favor de Deus quer contra Ele. Como declara Romanos 1, ou adoramos e servimos ao verdadeiro Deus ou adoramos e servimos às coisas criadas (ídolos). Os seres humanos são inerentemente religiosos, criados para ter um relacionamento com Deus. Caso o rejeitem, eles não deixam de ser religiosos; apenas encontram outro princípio básico sobre o qual fundamentar a vida.
Na maioria das vezes, esse ídolo é algo concreto, como segurança financeira ou sucesso profissional; em outros casos, é uma ideologia ou conjunto de crenças que substituem a religião. Qualquer que seja a forma que a idolatria tenha, segundo Romanos 1.18, os adoradores de ídolos suprimem ativamente seu conhecimento de Deus, procurando deuses substitutos. Tais indivíduos estão longe da neutralidade no que concerne à religião.
Claro que o cristianismo não é determinista. Ensina que, pela graça de Deus, o indivíduo pode ser iluminado pela verdade divina para curvar-se diante dEle, de modo a ser movido de um lado para o outro, ou seja, transferido do reino das trevas para o Reino de Cristo (Cl 1.13). Isso se chama conversão. Não obstante, em qualquer determinado ponto do tempo, estamos de um lado ou do outro. Sempre estamos interpretando nossa experiência levando em conta a revelação divina ou outro sistema de pensamento. Nosso chamado como cristãos é tirar progressivamente todos os "ídolos" que permaneçam em nossa vida de pensamento, a fim de exercermos cada aspecto de nossa vida como cidadãos da Cidade de Deus.
Nas últimas décadas, esta visão cristã clássica tem recebido apoio de fonte talvez surpreendente. A filosofia da ciência contemporânea rejeita a definição antiga e positivista de conhecimento, a qual considerava os cientistas de jaleco livres de preconceitos e crenças no momento em que entravam no laboratório. Hoje, os filósofos estão muito mais propensos a reconhecer o fator humano ao decidir o que conta como conhecimento do que a admitir que seja impossível abordar os fatos de uma posição filosófica neutra em sua totalidade. Todos encaramos o empreendimento científico como pessoas inteiras, levando ao laboratório uma panóplia de experiências, pressuposições teóricas, crenças pessoais, ambições e interesses socioeconômicos. Estes preconceitos colorem praticamente cada aspecto do empenho científico: o que consideramos digno de estudo, o que espera¬mos encontrar, para onde olhamos e como interpretamos os resultados.
"Todos os fatos estão carregados de teoria", é o slogan na filosofia da ciência hoje em dia. Um pouco exagerado, talvez, mas afirma que até o que consideramos "fato" é influenciado pelas teorias que levamos aos estudos científicos. Sempre processamos dados levando em consideração alguma estrutura teórica que adotamos para entender o mundo.
Trecho do livro de PEARCY, Nancy. Verdade Absoluta: Libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Tradução de Luis Aron. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. 526 p. (p. 43-44)
Aplicado à vida da mente, a imagem das duas cidades significa que todos chegamos ao mesmo ponto já possuindo motivação espiritual, a qual afeta o que iremos aceitar como verdadeiro. Longe de sermos folhas em branco, nossa mente está colorida por nossa posição, quer a favor de Deus quer contra Ele. Como declara Romanos 1, ou adoramos e servimos ao verdadeiro Deus ou adoramos e servimos às coisas criadas (ídolos). Os seres humanos são inerentemente religiosos, criados para ter um relacionamento com Deus. Caso o rejeitem, eles não deixam de ser religiosos; apenas encontram outro princípio básico sobre o qual fundamentar a vida.
Na maioria das vezes, esse ídolo é algo concreto, como segurança financeira ou sucesso profissional; em outros casos, é uma ideologia ou conjunto de crenças que substituem a religião. Qualquer que seja a forma que a idolatria tenha, segundo Romanos 1.18, os adoradores de ídolos suprimem ativamente seu conhecimento de Deus, procurando deuses substitutos. Tais indivíduos estão longe da neutralidade no que concerne à religião.
Claro que o cristianismo não é determinista. Ensina que, pela graça de Deus, o indivíduo pode ser iluminado pela verdade divina para curvar-se diante dEle, de modo a ser movido de um lado para o outro, ou seja, transferido do reino das trevas para o Reino de Cristo (Cl 1.13). Isso se chama conversão. Não obstante, em qualquer determinado ponto do tempo, estamos de um lado ou do outro. Sempre estamos interpretando nossa experiência levando em conta a revelação divina ou outro sistema de pensamento. Nosso chamado como cristãos é tirar progressivamente todos os "ídolos" que permaneçam em nossa vida de pensamento, a fim de exercermos cada aspecto de nossa vida como cidadãos da Cidade de Deus.
Nas últimas décadas, esta visão cristã clássica tem recebido apoio de fonte talvez surpreendente. A filosofia da ciência contemporânea rejeita a definição antiga e positivista de conhecimento, a qual considerava os cientistas de jaleco livres de preconceitos e crenças no momento em que entravam no laboratório. Hoje, os filósofos estão muito mais propensos a reconhecer o fator humano ao decidir o que conta como conhecimento do que a admitir que seja impossível abordar os fatos de uma posição filosófica neutra em sua totalidade. Todos encaramos o empreendimento científico como pessoas inteiras, levando ao laboratório uma panóplia de experiências, pressuposições teóricas, crenças pessoais, ambições e interesses socioeconômicos. Estes preconceitos colorem praticamente cada aspecto do empenho científico: o que consideramos digno de estudo, o que espera¬mos encontrar, para onde olhamos e como interpretamos os resultados.
"Todos os fatos estão carregados de teoria", é o slogan na filosofia da ciência hoje em dia. Um pouco exagerado, talvez, mas afirma que até o que consideramos "fato" é influenciado pelas teorias que levamos aos estudos científicos. Sempre processamos dados levando em consideração alguma estrutura teórica que adotamos para entender o mundo.
Trecho do livro de PEARCY, Nancy. Verdade Absoluta: Libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Tradução de Luis Aron. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. 526 p. (p. 43-44)
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