"Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Rm 12. 2)
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quarta-feira, 22 de abril de 2015
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Formando uma Visão Cristã da Tecnologia Computacional
Por: Derek C. Schuurman
A disciplina da ciência da computação está cheia de perguntas com as quais o acadêmico cristão precisa lutar. A tecnologia computacional é parte do potencial latente que Deus colocou na criação e que somos chamados a descobrir e desenvolver. Como consequência da queda, existem distorções no uso e lugar da tecnologia. Como cristãos, somos chamados a rejeitar o tecnicismo em todas as suas formas, e a trabalhar para dar forma à tecnologia de maneira que respondam o chamado de Deus para cuidar da terra e mostrar amor ao nosso próximo.
Leia AQUI o texto na íntegra.
A disciplina da ciência da computação está cheia de perguntas com as quais o acadêmico cristão precisa lutar. A tecnologia computacional é parte do potencial latente que Deus colocou na criação e que somos chamados a descobrir e desenvolver. Como consequência da queda, existem distorções no uso e lugar da tecnologia. Como cristãos, somos chamados a rejeitar o tecnicismo em todas as suas formas, e a trabalhar para dar forma à tecnologia de maneira que respondam o chamado de Deus para cuidar da terra e mostrar amor ao nosso próximo.
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quarta-feira, 30 de julho de 2014
O neocalvinismo holandês: autores e temas
Por: Rodomar Ricardo Ramlow
Resumo
O neocalvinismo holandês foi um movimento de reforma do século XIX que tem o nome de Abraham Kuyper entre os principais articuladores. Por isso, é conhecido também como Kuyperianismo. A proposta visava reinterpretar o Calvinismo abarcando suas doutrinas chaves com o envolvimento social e cultural que Calvino já almejava. Junto com Kuyper, outros nomes foram importantes para o desenvolvimento de conceitos chave que deram substância ao movimento que vem alcançando grande influência no mundo até os dias de hoje. Com este artigo visamos apresentar os principais autores e as ideias que foram importantes para a origem do neocalvinismo holandês.
Leia AQUI o texto na íntegra.
Resumo
O neocalvinismo holandês foi um movimento de reforma do século XIX que tem o nome de Abraham Kuyper entre os principais articuladores. Por isso, é conhecido também como Kuyperianismo. A proposta visava reinterpretar o Calvinismo abarcando suas doutrinas chaves com o envolvimento social e cultural que Calvino já almejava. Junto com Kuyper, outros nomes foram importantes para o desenvolvimento de conceitos chave que deram substância ao movimento que vem alcançando grande influência no mundo até os dias de hoje. Com este artigo visamos apresentar os principais autores e as ideias que foram importantes para a origem do neocalvinismo holandês.
Leia AQUI o texto na íntegra.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
sexta-feira, 27 de julho de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 9 de maio de 2011
sábado, 18 de dezembro de 2010
Pontos Decisivos...
Caixa de Ferramentas Bíblicas
Qual é o antídoto para a divisão secular/sagrado? Como ter a certeza de que nossa caixa de ferramentas contém as ferramentas conceituais fundamentadas na Bíblia para cada assunto que encontrarmos? Temos de começar estando completamente convencidos de que há perspectiva bíblica sobre tudo, não apenas sobre assuntos espirituais. O Antigo Testamento nos fala diversas vezes que "o temor do SENHOR é o princípio da sabedoria" (Sl 111.10; Pv 1.7; 9.10; 15.33). De modo semelhante, o Novo Testamento ensina que em Cristo "estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência" (Cl 2.3). Interpretamos estes versículos no sentido de sabedoria espiritual, porém o texto não estabelece limitação ao termo. "A maioria das pessoas tem a tendência de ler estas passagens como se dissessem que o temor do Senhor é o fundamento do conhecimento religioso", escreve Clouser."Mas o fato é que fazem afirmação radical — a afirmação de que, de alguma maneira, todo o conhecimento depende da verdade religiosa."

Esta afirmação é mais fácil de entender quando nos damos conta de que o cristianismo não é único sob este aspecto. Todos os sistemas de crença trabalham do mesmo modo. Como vimos, o que quer que um sistema proponha como auto-existente é, em essência, o que se considera divino. E esse compromisso religioso funciona como o princípio controlador para tudo o que vem depois. O temor de algum "deus" é o princípio de cada sistema de conhecimento proposto.
Assim que entendermos como o primeiro princípio trabalha, fica claro que toda a verdade tem de começar em Deus. A única realidade auto-existente é Deus, e tudo o mais depende dEle para sua origem e existência contínua. Nada existe separado da sua vontade; nada está fora do escopo dos pontos decisivos centrais na história bíblica: a criação, a queda e a redenção.
Criação
A mensagem cristã não começa com "Aceite a Jesus como Salvador", mas com "No princípio, criou Deus os céus e a terra". A Bíblia ensina que Deus é a fonte exclusiva de toda a ordem criada. Nenhum outro deus concorre com Ele; não existe força natural própria; nada recebe sua natureza ou existência de outra fonte. Sua palavra, ou leis, ou ordenanças da criação dão ao mundo ordem e estrutura. A palavra criativa de Deus é a fonte das leis da natureza física que estudamos nas ciências naturais. Também é a fonte das leis da natureza humana — os princípios da moralidade (ética), da justiça (política), do empreendimento criativo (economia), da estética (artes) e até do pensamento claro (lógica). É por isso que Salmos 119.91 declara:"... tudo está a teu serviço" (NVI). Não há assunto, tema, matéria que seja filosófica ou espiritualmente neutra.
Queda
A universalidade da criação é emparelhada pela universalidade da queda. A Bíblia ensina que todas as partes da criação — inclusive nossa mente — foram atingidas na grande rebelião contra o Criador. Os teólogos denominam isso de o efeito "noético" da queda (o efeito sobre a mente), e subverte nossa habilidade de entender o mundo sem a graça regeneradora de Deus. A Bíblia está repleta de avisos de que a idolatria ou a desobediência voluntariosa a Deus torna os humanos "cegos" ou "surdos". Paulo escreve:"... o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho..." (2 Co 4.4) O pecado literalmente entenebreceu o entendimento (Ef 4.18).
Claro que os não-crentes ainda atuam no mundo de Deus, portam a imagem dEle e são sustentados por sua graça comum, fatos que significam que têm a capacidade de descobrir segmentos isolados de conhecimento genuíno. E os cristãos devem acolher com alegria esses insights. Toda a verdade é a verdade de Deus, como diziam os pais da igreja, que também exortavam os cristãos a "saquear os egípcios" (cf. Ex 3.22),apropriando-se do melhor da erudição secular e mostrando como se ajusta de forma mais apropriada a uma cosmovisão bíblica. Pode haver ocasiões em que os cristãos estejam enganados em algum ponto, e os não-crentes, certos. Não obstante, os sistemas globais de pensamento formados pelos não-crentes serão falsos, pois se o sistema não é construído sobre a verdade bíblica, então o será sobre outro princípio básico. Até as verdades serão vistas pela lente distorcida de uma falsa cosmovisão. Em conseqüência disso, a abordagem cristã em qualquer campo precisa ser crítica e construtiva. Não podemos apenas tomar os resultados da erudição secular como se fosse território espiritualmente neutro, descoberto por pessoas cujas mentes estão de todo abertas e objetivas, ou seja, como se a queda nunca tivesse acontecido.
Redenção
Por fim, a redenção é tão abrangente quanto a criação e a queda. Deus não salva apenas nossa alma, deixando nossa mente a funcionar sozinha. Ele resgata a pessoa inteira. A conversão tem o propósito de dar nova direção a nossos pensamentos, emoções, vontade e hábitos. Paulo nos exorta a oferecer nosso "eu" a Deus como "sacrifício vivo", de forma a não sermos conformados com este mundo, mas sermos transformados pela renovação de nossa mente (Rm 12.1,2). Quando fomos remidos, todas as coisas se fizeram novas (2 Co 5.17). Deus promete nos dar "um coração novo" e "um espírito novo" (Ez 36.26), avivando nosso caráter com vida nova.
Isto explica por que a Bíblia trata o pecado, primeiramente, como questão de termos nos afastado de Deus para servir a outros deuses, e, em segundo plano, destacando uma lista de comportamentos imorais específicos. O primeiro mandamento é, afinal de contas, o primeiro — os demais vêm somente depois que estivermos certos sobre quem ou o que estamos adorando. E é por isso que a redenção consiste, de maneira fundamental, em expulsar nossos ídolos mentais para nos voltarmos ao verdadeiro Deus. E quando fazemos isso, experimentamos o seu poder transformador que renova cada aspecto de nossa vida. Falar sobre uma cosmovisão cristã é outro modo de dizer que, quando somos redimidos, toda nossa perspectiva de vida é recentralizada em Deus e reconstruída em sua verdade revelada.
Trecho do livro de PEARCY, Nancy. Verdade Absoluta: Libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Tradução de Luis Aron. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. 526 p. (p. 48-51)
Qual é o antídoto para a divisão secular/sagrado? Como ter a certeza de que nossa caixa de ferramentas contém as ferramentas conceituais fundamentadas na Bíblia para cada assunto que encontrarmos? Temos de começar estando completamente convencidos de que há perspectiva bíblica sobre tudo, não apenas sobre assuntos espirituais. O Antigo Testamento nos fala diversas vezes que "o temor do SENHOR é o princípio da sabedoria" (Sl 111.10; Pv 1.7; 9.10; 15.33). De modo semelhante, o Novo Testamento ensina que em Cristo "estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência" (Cl 2.3). Interpretamos estes versículos no sentido de sabedoria espiritual, porém o texto não estabelece limitação ao termo. "A maioria das pessoas tem a tendência de ler estas passagens como se dissessem que o temor do Senhor é o fundamento do conhecimento religioso", escreve Clouser."Mas o fato é que fazem afirmação radical — a afirmação de que, de alguma maneira, todo o conhecimento depende da verdade religiosa."

Esta afirmação é mais fácil de entender quando nos damos conta de que o cristianismo não é único sob este aspecto. Todos os sistemas de crença trabalham do mesmo modo. Como vimos, o que quer que um sistema proponha como auto-existente é, em essência, o que se considera divino. E esse compromisso religioso funciona como o princípio controlador para tudo o que vem depois. O temor de algum "deus" é o princípio de cada sistema de conhecimento proposto.
Assim que entendermos como o primeiro princípio trabalha, fica claro que toda a verdade tem de começar em Deus. A única realidade auto-existente é Deus, e tudo o mais depende dEle para sua origem e existência contínua. Nada existe separado da sua vontade; nada está fora do escopo dos pontos decisivos centrais na história bíblica: a criação, a queda e a redenção.
Criação
A mensagem cristã não começa com "Aceite a Jesus como Salvador", mas com "No princípio, criou Deus os céus e a terra". A Bíblia ensina que Deus é a fonte exclusiva de toda a ordem criada. Nenhum outro deus concorre com Ele; não existe força natural própria; nada recebe sua natureza ou existência de outra fonte. Sua palavra, ou leis, ou ordenanças da criação dão ao mundo ordem e estrutura. A palavra criativa de Deus é a fonte das leis da natureza física que estudamos nas ciências naturais. Também é a fonte das leis da natureza humana — os princípios da moralidade (ética), da justiça (política), do empreendimento criativo (economia), da estética (artes) e até do pensamento claro (lógica). É por isso que Salmos 119.91 declara:"... tudo está a teu serviço" (NVI). Não há assunto, tema, matéria que seja filosófica ou espiritualmente neutra.
Queda
A universalidade da criação é emparelhada pela universalidade da queda. A Bíblia ensina que todas as partes da criação — inclusive nossa mente — foram atingidas na grande rebelião contra o Criador. Os teólogos denominam isso de o efeito "noético" da queda (o efeito sobre a mente), e subverte nossa habilidade de entender o mundo sem a graça regeneradora de Deus. A Bíblia está repleta de avisos de que a idolatria ou a desobediência voluntariosa a Deus torna os humanos "cegos" ou "surdos". Paulo escreve:"... o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho..." (2 Co 4.4) O pecado literalmente entenebreceu o entendimento (Ef 4.18).
Claro que os não-crentes ainda atuam no mundo de Deus, portam a imagem dEle e são sustentados por sua graça comum, fatos que significam que têm a capacidade de descobrir segmentos isolados de conhecimento genuíno. E os cristãos devem acolher com alegria esses insights. Toda a verdade é a verdade de Deus, como diziam os pais da igreja, que também exortavam os cristãos a "saquear os egípcios" (cf. Ex 3.22),apropriando-se do melhor da erudição secular e mostrando como se ajusta de forma mais apropriada a uma cosmovisão bíblica. Pode haver ocasiões em que os cristãos estejam enganados em algum ponto, e os não-crentes, certos. Não obstante, os sistemas globais de pensamento formados pelos não-crentes serão falsos, pois se o sistema não é construído sobre a verdade bíblica, então o será sobre outro princípio básico. Até as verdades serão vistas pela lente distorcida de uma falsa cosmovisão. Em conseqüência disso, a abordagem cristã em qualquer campo precisa ser crítica e construtiva. Não podemos apenas tomar os resultados da erudição secular como se fosse território espiritualmente neutro, descoberto por pessoas cujas mentes estão de todo abertas e objetivas, ou seja, como se a queda nunca tivesse acontecido.
Redenção
Por fim, a redenção é tão abrangente quanto a criação e a queda. Deus não salva apenas nossa alma, deixando nossa mente a funcionar sozinha. Ele resgata a pessoa inteira. A conversão tem o propósito de dar nova direção a nossos pensamentos, emoções, vontade e hábitos. Paulo nos exorta a oferecer nosso "eu" a Deus como "sacrifício vivo", de forma a não sermos conformados com este mundo, mas sermos transformados pela renovação de nossa mente (Rm 12.1,2). Quando fomos remidos, todas as coisas se fizeram novas (2 Co 5.17). Deus promete nos dar "um coração novo" e "um espírito novo" (Ez 36.26), avivando nosso caráter com vida nova.
Isto explica por que a Bíblia trata o pecado, primeiramente, como questão de termos nos afastado de Deus para servir a outros deuses, e, em segundo plano, destacando uma lista de comportamentos imorais específicos. O primeiro mandamento é, afinal de contas, o primeiro — os demais vêm somente depois que estivermos certos sobre quem ou o que estamos adorando. E é por isso que a redenção consiste, de maneira fundamental, em expulsar nossos ídolos mentais para nos voltarmos ao verdadeiro Deus. E quando fazemos isso, experimentamos o seu poder transformador que renova cada aspecto de nossa vida. Falar sobre uma cosmovisão cristã é outro modo de dizer que, quando somos redimidos, toda nossa perspectiva de vida é recentralizada em Deus e reconstruída em sua verdade revelada.
Trecho do livro de PEARCY, Nancy. Verdade Absoluta: Libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Tradução de Luis Aron. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. 526 p. (p. 48-51)
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Duas Cidades
O projeto do Iluminismo estava em nítida oposição à tradição cristã clássica, que sugeria um ponto de vista de conhecimento (ou epistemologia) muito mais humilde e realístico. Reconhecia que o que contamos como conhecimento é profundamente moldado por nossa condição espiritual. Este discernimento foi mais bem expresso por Agostinho em sua imagem das duas cidades: a Cidade de Deus e a Cidade do Homem. Agostinho não estava falando sobre a divisão entre igreja e Estado, como pensam alguns; falava sobre dois sistemas de pensamento e lealdade. Ajudamos a construir a Cidade de Deus quando nossas ações são inspiradas e dirigidas pelo amor de Deus, sendo oferecidas ao seu serviço. Construímos a Cidade do Homem sempre que nossas ações são incentivadas por amor-próprio e servem de propósitos pecaminosos.
Aplicado à vida da mente, a imagem das duas cidades significa que todos chegamos ao mesmo ponto já possuindo motivação espiritual, a qual afeta o que iremos aceitar como verdadeiro. Longe de sermos folhas em branco, nossa mente está colorida por nossa posição, quer a favor de Deus quer contra Ele. Como declara Romanos 1, ou adoramos e servimos ao verdadeiro Deus ou adoramos e servimos às coisas criadas (ídolos). Os seres humanos são inerentemente religiosos, criados para ter um relacionamento com Deus. Caso o rejeitem, eles não deixam de ser religiosos; apenas encontram outro princípio básico sobre o qual fundamentar a vida.
Na maioria das vezes, esse ídolo é algo concreto, como segurança financeira ou sucesso profissional; em outros casos, é uma ideologia ou conjunto de crenças que substituem a religião. Qualquer que seja a forma que a idolatria tenha, segundo Romanos 1.18, os adoradores de ídolos suprimem ativamente seu conhecimento de Deus, procurando deuses substitutos. Tais indivíduos estão longe da neutralidade no que concerne à religião.
Claro que o cristianismo não é determinista. Ensina que, pela graça de Deus, o indivíduo pode ser iluminado pela verdade divina para curvar-se diante dEle, de modo a ser movido de um lado para o outro, ou seja, transferido do reino das trevas para o Reino de Cristo (Cl 1.13). Isso se chama conversão. Não obstante, em qualquer determinado ponto do tempo, estamos de um lado ou do outro. Sempre estamos interpretando nossa experiência levando em conta a revelação divina ou outro sistema de pensamento. Nosso chamado como cristãos é tirar progressivamente todos os "ídolos" que permaneçam em nossa vida de pensamento, a fim de exercermos cada aspecto de nossa vida como cidadãos da Cidade de Deus.
Nas últimas décadas, esta visão cristã clássica tem recebido apoio de fonte talvez surpreendente. A filosofia da ciência contemporânea rejeita a definição antiga e positivista de conhecimento, a qual considerava os cientistas de jaleco livres de preconceitos e crenças no momento em que entravam no laboratório. Hoje, os filósofos estão muito mais propensos a reconhecer o fator humano ao decidir o que conta como conhecimento do que a admitir que seja impossível abordar os fatos de uma posição filosófica neutra em sua totalidade. Todos encaramos o empreendimento científico como pessoas inteiras, levando ao laboratório uma panóplia de experiências, pressuposições teóricas, crenças pessoais, ambições e interesses socioeconômicos. Estes preconceitos colorem praticamente cada aspecto do empenho científico: o que consideramos digno de estudo, o que espera¬mos encontrar, para onde olhamos e como interpretamos os resultados.
"Todos os fatos estão carregados de teoria", é o slogan na filosofia da ciência hoje em dia. Um pouco exagerado, talvez, mas afirma que até o que consideramos "fato" é influenciado pelas teorias que levamos aos estudos científicos. Sempre processamos dados levando em consideração alguma estrutura teórica que adotamos para entender o mundo.
Trecho do livro de PEARCY, Nancy. Verdade Absoluta: Libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Tradução de Luis Aron. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. 526 p. (p. 43-44)
Aplicado à vida da mente, a imagem das duas cidades significa que todos chegamos ao mesmo ponto já possuindo motivação espiritual, a qual afeta o que iremos aceitar como verdadeiro. Longe de sermos folhas em branco, nossa mente está colorida por nossa posição, quer a favor de Deus quer contra Ele. Como declara Romanos 1, ou adoramos e servimos ao verdadeiro Deus ou adoramos e servimos às coisas criadas (ídolos). Os seres humanos são inerentemente religiosos, criados para ter um relacionamento com Deus. Caso o rejeitem, eles não deixam de ser religiosos; apenas encontram outro princípio básico sobre o qual fundamentar a vida.
Na maioria das vezes, esse ídolo é algo concreto, como segurança financeira ou sucesso profissional; em outros casos, é uma ideologia ou conjunto de crenças que substituem a religião. Qualquer que seja a forma que a idolatria tenha, segundo Romanos 1.18, os adoradores de ídolos suprimem ativamente seu conhecimento de Deus, procurando deuses substitutos. Tais indivíduos estão longe da neutralidade no que concerne à religião.
Claro que o cristianismo não é determinista. Ensina que, pela graça de Deus, o indivíduo pode ser iluminado pela verdade divina para curvar-se diante dEle, de modo a ser movido de um lado para o outro, ou seja, transferido do reino das trevas para o Reino de Cristo (Cl 1.13). Isso se chama conversão. Não obstante, em qualquer determinado ponto do tempo, estamos de um lado ou do outro. Sempre estamos interpretando nossa experiência levando em conta a revelação divina ou outro sistema de pensamento. Nosso chamado como cristãos é tirar progressivamente todos os "ídolos" que permaneçam em nossa vida de pensamento, a fim de exercermos cada aspecto de nossa vida como cidadãos da Cidade de Deus.
Nas últimas décadas, esta visão cristã clássica tem recebido apoio de fonte talvez surpreendente. A filosofia da ciência contemporânea rejeita a definição antiga e positivista de conhecimento, a qual considerava os cientistas de jaleco livres de preconceitos e crenças no momento em que entravam no laboratório. Hoje, os filósofos estão muito mais propensos a reconhecer o fator humano ao decidir o que conta como conhecimento do que a admitir que seja impossível abordar os fatos de uma posição filosófica neutra em sua totalidade. Todos encaramos o empreendimento científico como pessoas inteiras, levando ao laboratório uma panóplia de experiências, pressuposições teóricas, crenças pessoais, ambições e interesses socioeconômicos. Estes preconceitos colorem praticamente cada aspecto do empenho científico: o que consideramos digno de estudo, o que espera¬mos encontrar, para onde olhamos e como interpretamos os resultados.
"Todos os fatos estão carregados de teoria", é o slogan na filosofia da ciência hoje em dia. Um pouco exagerado, talvez, mas afirma que até o que consideramos "fato" é influenciado pelas teorias que levamos aos estudos científicos. Sempre processamos dados levando em consideração alguma estrutura teórica que adotamos para entender o mundo.
Trecho do livro de PEARCY, Nancy. Verdade Absoluta: Libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Tradução de Luis Aron. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. 526 p. (p. 43-44)
terça-feira, 23 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
O que é Cosmovisão?
"Tão verdadeiramente quanto cada planta tem uma raiz, do mesmo modo um princípio verdadeiramente esconde-se sob cada manifestação da vida. Estes princípios estão interligados e têm sua raiz comum num princípio fundamental; e a partir deste último é desenvolvido lógica e sistematicamente todo o conjunto de conceitos governantes e concepções que irão compor nossa vida e cosmovisão"
(Abraham Kuyper, no livro Calvinismo, p. 198)
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Ídolo do Iluminismo
Os secularistas reforçam a mentalidade de divisão (secular/sagrado), afirmando que a teoria deles não espelha qualquer filosofia em particular, que é apenas "o modo como todas as pessoas racionais pensam". Dessa forma, promovem suas próprias opiniões como imparciais e racionais, adequadas à esfera pública, enquanto denunciam as opiniões religiosas como parciais ou preconceituosas. Esta tática tem intimidado os cristãos, fazendo com que eles fiquem na defensiva quanto à nossa crença, atitude que, por sua vez, abala nossa eficácia na cultura mais ampla.
O equívoco jaz em pensar que haja teorias imparciais ou neutras, que não são afetadas por qualquer suposição religiosa e filosófica. Sabemos, claro, que no reino sagrado, cada grupo tem seus próprios pontos de vista religiosos — cristão, judaico, muçulmano, da Nova Era e assim por diante. Todavia, no reino secular, é comum pensar que todos temos acesso a conhecimento neutro, no qual julga-se que os valores religiosos e filosóficos não interferem.
A ironia é que este ideal é produto de uma tradição filosófica em particular. A noção que advoga que é possível esvaziar a mente de todas as pressuposições e comprometimentos religiosos para obter verdades nuas e cruas da "razão" procede do Iluminismo. René Descartes, considerado o primeiro filósofo moderno, expressou-o vigorosamente no século XVII. O modo de encontrar a verdade, disse Descartes, era tirar da mente tudo que se possa duvidar até alcançarmos um fundamento de verdades firmes e asseguradas que não se possa duvidar. Segundo pensava, ele conseguira atingir esse fundamento infalível em seu famoso cogito, ergo sum: "Penso, logo existo". Afinal, mesmo quando estamos duvidando de tudo, ainda estamos pensando; portanto, a coisa mais segura que podemos saber é a existência da questão do pensamento.
A idéia que emergiu foi que, pelo método da dúvida sistemática, a mente humana ou a Razão (com a letra inicial em maiúsculo) pode atingir a objetividade e certeza divinas. Em um de meus cursos de filosofia na faculdade, o professor gostava de dizer que a objetividade é "o modo como Deus vê as coisas". Embora não fosse crente, ele queria dizer que a verdadeira objetividade só pode ser atingida por um Ser que transcenda este mundo e saiba tudo conforme de fato é.A insolência do Iluminismo acha-se no pensamento de que a Razão era esse poder transcendente que provia conhecimento infalível. A Razão tornou-se nada menos que um ídolo, assumindo o lugar de Deus como fonte da Verdade absoluta.
Ironicamente, o próprio Descartes era católico devoto; tinha tanta certeza de que Deus lhe revelara a lógica irrefutável do cogito, ergo sum que prometeu fazer uma peregrinação ao santuário de Nossa Senhora de Loreto, Itália — promessa que cumpriu alguns anos depois. Esse filósofo é exemplo trágico de como a pessoa pode ser cristã sincera e, mesmo assim, promover uma filosofia que com certeza não é cristã. Descartes ajudou a estabelecer uma forma de racionalismo que tratou a Razão não apenas como a capacidade humana de pensar de modo racional, mas como a fonte infalível e autônoma da verdade. A Razão foi vista como depósito de verdades independente de religião ou filosofia.
Trecho do livro de PEARCY, Nancy. Verdade Absoluta: Libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Tradução de Luis Aron. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. 526 p. (p. 42-43)
O equívoco jaz em pensar que haja teorias imparciais ou neutras, que não são afetadas por qualquer suposição religiosa e filosófica. Sabemos, claro, que no reino sagrado, cada grupo tem seus próprios pontos de vista religiosos — cristão, judaico, muçulmano, da Nova Era e assim por diante. Todavia, no reino secular, é comum pensar que todos temos acesso a conhecimento neutro, no qual julga-se que os valores religiosos e filosóficos não interferem.
A ironia é que este ideal é produto de uma tradição filosófica em particular. A noção que advoga que é possível esvaziar a mente de todas as pressuposições e comprometimentos religiosos para obter verdades nuas e cruas da "razão" procede do Iluminismo. René Descartes, considerado o primeiro filósofo moderno, expressou-o vigorosamente no século XVII. O modo de encontrar a verdade, disse Descartes, era tirar da mente tudo que se possa duvidar até alcançarmos um fundamento de verdades firmes e asseguradas que não se possa duvidar. Segundo pensava, ele conseguira atingir esse fundamento infalível em seu famoso cogito, ergo sum: "Penso, logo existo". Afinal, mesmo quando estamos duvidando de tudo, ainda estamos pensando; portanto, a coisa mais segura que podemos saber é a existência da questão do pensamento.
A idéia que emergiu foi que, pelo método da dúvida sistemática, a mente humana ou a Razão (com a letra inicial em maiúsculo) pode atingir a objetividade e certeza divinas. Em um de meus cursos de filosofia na faculdade, o professor gostava de dizer que a objetividade é "o modo como Deus vê as coisas". Embora não fosse crente, ele queria dizer que a verdadeira objetividade só pode ser atingida por um Ser que transcenda este mundo e saiba tudo conforme de fato é.A insolência do Iluminismo acha-se no pensamento de que a Razão era esse poder transcendente que provia conhecimento infalível. A Razão tornou-se nada menos que um ídolo, assumindo o lugar de Deus como fonte da Verdade absoluta.
Ironicamente, o próprio Descartes era católico devoto; tinha tanta certeza de que Deus lhe revelara a lógica irrefutável do cogito, ergo sum que prometeu fazer uma peregrinação ao santuário de Nossa Senhora de Loreto, Itália — promessa que cumpriu alguns anos depois. Esse filósofo é exemplo trágico de como a pessoa pode ser cristã sincera e, mesmo assim, promover uma filosofia que com certeza não é cristã. Descartes ajudou a estabelecer uma forma de racionalismo que tratou a Razão não apenas como a capacidade humana de pensar de modo racional, mas como a fonte infalível e autônoma da verdade. A Razão foi vista como depósito de verdades independente de religião ou filosofia.
Trecho do livro de PEARCY, Nancy. Verdade Absoluta: Libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Tradução de Luis Aron. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. 526 p. (p. 42-43)
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Vocação e Frustração
Queremos mesmo integrar nossa fé em cada aspecto da vida, incluindo a profissão. Queremos ser pessoas completas, íntegras (a palavra provém do termo latino que significa "tudo"). Não faz muito tempo, conheci um novo convertido que se torturava em aplicar a fé ao seu trabalho como professor de arte.
"Quero que toda a minha vida reflita minha relação com Deus", disse-me. "Não quero que minha fé fique em um compartimento e minha arte em outra."
Todos concordamos com Dorothy Sayers que disse que se a religião não fala com nossa vida de trabalho, então não tem nada a dizer sobre o que fazemos a maior parte do tempo; portanto, não admira que as pessoas digam que a religião é irrelevante! "Como alguém pode permanecer interessado numa religião que não se interessa com 90% da vida?"
No dualismo secular/sagrado, o trabalho comum é denegrido, ao passo que o trabalho na igreja é exaltado como mais valioso. No livro Roaring Latnbs (Cordeiros que Balem), Bob Briner descreve seus dias de estudante em uma faculdade cristã, onde a suposição tácita referia-se à idéia de que o único modo de realmente servir a Deus era num trabalho cristão em tempo integral. Já sabendo que desejava uma profissão na administração esportiva, Briner, escreve:"Sentia-me como seu eu fosse um tipo de cidadão estudantil de segunda classe. Meus colegas que se preparavam para o ministério pastoral, ou serviço missionário, eram tratados como se estivessem fazendo o verdadeiro trabalho da igreja. Os demais eram os coadjuvantes".
A mensagem subjacente era que as pessoas em profissões comuns podem contribuir com suas orações e apoio financeiro; nada mais. "Quase nada em minha igreja ou experiências na faculdade apresentava a possibilidade de uma vida cristã dinâmica e envolvida fora do ministério", conclui Briner. "Ouvimos falar de ser sal e luz, mas ninguém nos diz como ser isso." Ele recebia apoio insincero à idéia de dedicar seu trabalho a Deus, mas o que tudo isso parecia significar era: Faça o melhor que puder e não cometa nenhum pecado hediondo.
O mesmo dualismo secular/sagrado quase acabou com os talentos criativos dos fundadores de vídeos excentricamente engraçados, conhecidos nos Estados Unidos. Phil Vischer diz que sempre soube que queria fazer cinema, mas "a mensagem implícita que recebi enquanto crescia era que o ministério de tempo integral era o único serviço cristão válido. Cristãos jovens deviam almejar ser ministros ou missionários". Assim, com submissão, fez as malas e foi para a faculdade de teologia estudar, a fim de ingressar no ministério.
No entanto, quanto mais via a influência tremenda que os filmes exerciam nas crianças, mais se conscientizava de que era importante produzir filmes de alta qualidade. Por fim, resolveu: "Imaginei que Deus poderia usar um ou dois cineastas, a despeito do que as pessoas dissessem". Desistindo da faculdade de teologia, ele e seu amigo, Mike Nawrocki, abriram uma produtora. Enquanto seus ex-colegas se transformavam em líderes de mocidade e pastores, eles se transformaram nas vozes de dois personagens famosos:Tomate Bob e Pepino Larry. Os vídeos são muito populares por suas mensagens bíblicas e humor ardiloso. Se estes dois desistentes de faculdade de teologia não tivessem por livre e espontânea vontade divergido da mentalidade secular/sagrado e não tivessem decidido que os cristãos têm uma chamada válida no campo da produção de filmes, talvez seus talentos nunca teriam sido úteis para a igreja.Todo membro do Corpo de Cristo tem um talento para o benefício do todo, e quando esses dons são anulados, todos perdemos.
A influência da divisão secular/sagrado é menos surpreendente quando percebemos que muitos pastores e professores a assimilam. Um superintendente escolar me contou que a maioria dos pedagogos define o "professor cristão" estritamente em termos de comportamento pessoal: coisas como dar um bom exemplo e mostrar preocupação pelos alunos. Quase nenhum o define em termos de transmitir uma cosmovisão bíblica nas matérias que ensinam (literatura, ciência, estudos sociais ou artes). Em outras palavras, eles se preocupam em ser cristão no trabalho, mas não pensam a respeito de ter uma estrutura bíblica sobre o trabalho.
Em muitas escolas cristãs, a estratégia típica é inserir em sala de aula certos elementos "religiosos" estreitamente definidos, como oração e memorização da Bíblia, e depois ensinar as mesmas coisas que as escolas seculares. O currículo apenas estende uma camada de devoção espiritual em cima da matéria escolar, como algo supérfluo, enquanto o próprio conteúdo permanece o mesmo.
Trecho do livro de PEARCY, Nancy. Verdade Absoluta: Libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Tradução de Luis Aron. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. 526 p. (p. 38-40)
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Cosmovisão é Mais do que Uma Questão Educacional
A medida que o conceito de cosmovisão se torna comum, é fácil ser mal compreendido. Alguns a encaram como outra matéria acadêmica a dominar — um exercício mental ou estratégia de "como fazer". Outros tratam a cosmovisão como se fosse uma arma na guerra cultural, uma ferramenta para o ativismo mais eficaz. Outros ainda (valha-me Deus!) a tratam pouco mais que uma nova palavra de efeito ou um recurso publicitário usado para deslumbrar o público e atrair doadores.
O pensamento da genuína cosmovisão é muito mais que estratégia mental ou nova informação nos acontecimentos atuais. Em seu cerne, é um aprofundamento de nosso caráter espiritual e do caráter de nossa vida. Começa com a submissão de nossa mente ao Senhor do universo — a disposição voluntária de sermos ensinados por Ele. A força motriz dos estudos da cosmovisão tem de ser um compromisso a: "Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento..." (Lc 10.27)
É por isso que a condição crucial para o crescimento intelectual é o crescimento espiritual, pedindo a Deus a graça de levar "cativo todo entendimento à obediência de Cristo" (2 Co 10.5). Deus não é apenas o Salvador de almas, é também o Senhor da criação. Um modo de reconhecermos seu senhorio é interpretar todo aspecto da criação, levando em conta a verdade divina. A Palavra de Deus torna-se os óculos que oferecem nova perspectiva sobre todos os nossos pensamentos e ações.
Como ocorre com cada aspecto da santificação, a renovação da mente é dolorosa e difícil. Requer trabalho duro e disciplina, inspirado por um amor sacrificai a Cristo e um desejo ardente de edificar o seu Corpo, a Igreja. Para termos a mente de Cristo, devemos estar dispostos a sermos crucificados com Ele, indo aonde quer que nos conduza — a qualquer preço. "Pois que por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus" (At 14.22). A medida que nos submetemos ao refinamento no fogo do sofrimento, nossos desejos são purificados e acabamos desejando nada mais que curvar toda fibra de nosso ser, inclusive nossas faculdades mentais, para cumprir a Oração do Senhor:"Venha o teu Reino".Ansiamos por entregar todos os nossos talentos e dons aos seus pés a fim de promover os seus propósitos no mundo. Desenvolver uma cosmovisão cristã significa submeter nosso "eu" a Deus, em ato de devoção e serviço a Ele.
Trecho do livro de PEARCY, Nancy. Verdade Absoluta: Libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Tradução de Luis Aron. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. 526 p. (p. 28-29)
O pensamento da genuína cosmovisão é muito mais que estratégia mental ou nova informação nos acontecimentos atuais. Em seu cerne, é um aprofundamento de nosso caráter espiritual e do caráter de nossa vida. Começa com a submissão de nossa mente ao Senhor do universo — a disposição voluntária de sermos ensinados por Ele. A força motriz dos estudos da cosmovisão tem de ser um compromisso a: "Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento..." (Lc 10.27)
É por isso que a condição crucial para o crescimento intelectual é o crescimento espiritual, pedindo a Deus a graça de levar "cativo todo entendimento à obediência de Cristo" (2 Co 10.5). Deus não é apenas o Salvador de almas, é também o Senhor da criação. Um modo de reconhecermos seu senhorio é interpretar todo aspecto da criação, levando em conta a verdade divina. A Palavra de Deus torna-se os óculos que oferecem nova perspectiva sobre todos os nossos pensamentos e ações.
Como ocorre com cada aspecto da santificação, a renovação da mente é dolorosa e difícil. Requer trabalho duro e disciplina, inspirado por um amor sacrificai a Cristo e um desejo ardente de edificar o seu Corpo, a Igreja. Para termos a mente de Cristo, devemos estar dispostos a sermos crucificados com Ele, indo aonde quer que nos conduza — a qualquer preço. "Pois que por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus" (At 14.22). A medida que nos submetemos ao refinamento no fogo do sofrimento, nossos desejos são purificados e acabamos desejando nada mais que curvar toda fibra de nosso ser, inclusive nossas faculdades mentais, para cumprir a Oração do Senhor:"Venha o teu Reino".Ansiamos por entregar todos os nossos talentos e dons aos seus pés a fim de promover os seus propósitos no mundo. Desenvolver uma cosmovisão cristã significa submeter nosso "eu" a Deus, em ato de devoção e serviço a Ele.
Trecho do livro de PEARCY, Nancy. Verdade Absoluta: Libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Tradução de Luis Aron. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. 526 p. (p. 28-29)
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